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    Compliance20 Ago 2026

    Canal de denúncias, Lei 14.457 e NR-1: como integrar prevenção e governança

    Entenda como conectar procedimentos, treinamentos, indicadores e gestão de riscos para fortalecer a prevenção no ambiente de trabalho.

    Canal de denúncias, Lei 14.457 e NR-1: como integrar prevenção e governança

    Um canal de denúncias bem estruturado transforma relatos em informações úteis para prevenção, proteção de pessoas e melhoria contínua. Para que isso aconteça, ele precisa fazer parte de uma rotina que combine políticas claras, acolhimento, tratamento responsável, comunicação e acompanhamento.

    O que a Lei 14.457/2022 exige

    Para as empresas com CIPA, a Lei 14.457/2022 prevê medidas de prevenção e combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho. Entre elas estão regras de conduta divulgadas internamente, procedimentos para recebimento, acompanhamento e apuração de denúncias, garantia de anonimato à pessoa denunciante e ações periódicas de capacitação, orientação e sensibilização.

    Na prática, não basta disponibilizar um endereço de e-mail ou formulário. A empresa precisa definir como cada manifestação será registrada, quem terá acesso às informações, quais são os critérios de triagem, como a apuração será conduzida e de que forma as decisões serão documentadas.

    Como a NR-1 amplia a visão de prevenção

    Desde 26 de maio de 2026, a NR-1 passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Situações como assédio, discriminação, conflitos recorrentes, sobrecarga e falhas de comunicação podem ser sinais que merecem atenção na análise do trabalho.

    O canal de denúncias pode apoiar essa leitura ao oferecer uma via segura para relatos e ao gerar informações agregadas sobre tendências. Ele não substitui o PGR, a avaliação técnica nem a atuação dos profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho, mas ajuda a registrar sinais, organizar tratativas e acompanhar medidas preventivas.

    Checklist para estruturar o processo

    • Defina a política do canal: estabeleça públicos atendidos, tipos de relato, princípios de confidencialidade, responsabilidades e prazos.
    • Ofereça uma via acessível e segura: comunique como o canal funciona, quais informações serão solicitadas e como o anonimato será protegido quando aplicável.
    • Crie um fluxo de tratamento: registre, classifique, atribua responsáveis, preserve evidências e acompanhe cada etapa até a conclusão.
    • Capacite e comunique continuamente: lideranças e equipes precisam saber acolher, encaminhar e evitar qualquer forma de retaliação.
    • Acompanhe indicadores sem expor pessoas: use dados agregados para identificar padrões, priorizar ações e revisar a efetividade das medidas.

    Da resposta pontual à melhoria contínua

    Quando o processo é claro, cada relato pode contribuir para ajustes em políticas, treinamentos, comunicação e gestão de riscos. O objetivo não é apenas reagir a uma ocorrência, mas aprender com ela e fortalecer uma cultura de integridade.

    Para aplicar essas medidas no contexto da sua empresa, envolva as áreas responsáveis por compliance, pessoas, jurídico e SST. A orientação especializada é importante para adequar procedimentos, responsabilidades e documentação à realidade da organização e às exigências aplicáveis.